Carta de Antonio Melo Albuquerque relata o orgulho de ter tido Anita por prisioneira.

Quando Anita é presa em Curitibanos, depois de muito tempo, o coronel que a prendeu, Antônio de Melo Albuquerque, o Melo Manso, em uma carta que manda ao marechal Leite de Castro, faz a seguinte declaração:

Quando o combate tornou-se mais renhido, via-se que era Anita quem mais animava os soldados do seu marido a serem valentes. Os meus oficiais, especialmente os que estavam na vanguarda, me referiram que era a combatente

Com a espada em punho e com seus lindos cabelos flutuantes que mais se expunha às nossas balas; que mais trabalhava pela vitória de seu marido, tendo por vezes posto em dúvida a sorte de minhas forças.

Finalmente, vendo Reduzido o número de seus bravos soldados, pela morte de muitos e ferimentos de outros, como me vendo completamente cercada por meus comandados, deixou-se aprisionar, seguida de alguns combatentes.

Quando me foi apresentada estava mal vestida, desgrenhada, bem como com voz embargada, devido à tremenda luta e ao fato de ficar separada de seu marido; via-se que ela padecia horrivelmente, tendo por tudo conquistado a minha admiração, como a de meus comandados, por nunca termos pensado em ver uma mulher tão valorosa, tendo-nos enchido de maior orgulho porque era uma catarinense, uma compatriota que dava ao mundo tão sublime prova de valor e intrepidez.

Apesar de todo conforto que lhe forneci, apesar de todas as garantias de vida que lhe concedi com a melhor boa vontade, apesar de lhe haver dado todo o acampamento por mensagem, ficando assim em plena liberdade; apesar, ainda mais, da promessa que lhe fiz de restituí-la a seu esposo na primeira oportunidade, a denodada Anita com uma pasmosa coragem conseguiu fugir em noite tenebrosa.

Quando este fato teve lugar e chegou ao meu conhecimento, fiquei penalizado por não possuí-la mais como prisioneira, mas tendo desejado que ela encontrasse o seu marido, e tirasse também da dolorosa situação em que se achava, julgando nunca mais vê-lo para sua desgraça.

Ainda agora, apesar da passagem de vinte anos, quando me recordo do seu pasmoso heroísmo, dos seus cruéis sofrimentos, das suas angústias, sinto ensoberbecer-me, por haver sido Anita minha gloriosa prisioneira, o mais honroso título da minha longa vida e o principal enfeite da minha fé de ofício.

Enviado por; Luiz Cesar Branco

2 comentários para “Carta de Antonio Melo Albuquerque relata o orgulho de ter tido Anita por prisioneira.”

  1. [...] Carta de Antonio Melo Albuquerque relata o orgulho de ter tido Anita por prisioneira. [...]

  2. Patrycia Jeanie Mark disse:

    Fantastico este post. Parabens a todos deste site pois tenho lido muita coisa boa no link de culturas. Este pequeno texto que fala sobre Anita é de encher os olhos d’agua. Parabens Luiz Cesar e Chasque do Conhaque por compartilhar com os gaúchos esta preciosidade.

    Patrycia,

    Alegrete- Rs

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